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Tempo de leitura: 8 min 0 seg    Publicado em: 29/Janeiro
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Discurso de Ruy Barbosa na Bahia

Um dos maiores oradores do Brasil em ação durante a Campanha Presidencial de 1919

Esta era a época do discurso, e Ruy o consagrado mestre da oratória. Em 1910, havia disputado a presidência e perdido para o General Hermes da Fonseca, fazendo a campanha que se tornou conhecida, como a “campanha civilista”.


Ruy Barbosa foi um dos grandes mestres da oratória brasileira

O ano de 1919 começou com uma crise de grandes proporções. O presidente eleito Rodrigues Alves morreu em 16 de janeiro e, na forma da Constituição, uma nova eleição precisava ser convocada já que a sua morte ocorrera na primeira parte de seu mandato.

O candidato do “sistema” da República Velha foi Epitácio Pessoa, da Paraíba. Ruy, que estivera próximo de ser escolhido pelo “sistema” nas negociações de fevereiro, sentindo-se preterido por Epitácio, decide disputar novamente a Presidência.

Ruy disputa a eleição sem o respaldo do sistema - que se apoiava nas máquinas políticas dos governos estaduais e alternava Minas e São Paulo na Presidência (“política do café com leite”).

Sua candidatura estava fadada ao fracasso, pois, Ruy, na impossibilidade de contar com as “máquinas do sistema”, teve de levar sua mensagem para as massas urbanas, que, até então, tinham desempenhado um papel muito secundário nas eleições.

Com a eleição de 1919, as massas urbanas fazem pela primeira vez - e para ficar - a sua entrada na política brasileira. A surpresa da eleição de abril não foi a vitória de Epitácio por ampla maioria e, sim, que Ruy obteve praticamente 30% dos votos, uma marca notável e singular, para um candidato da oposição naquela época.

A campanha de Ruy e seu desempenho eleitoral significaram que os eleitores urbanos começavam a desempenhar um papel independente na política brasileira.

O discurso de Ruy é dirigido “Aos Professores e Estudantes da Bahia”, e foi pronunciado na Faculdade de Medicina da Bahia no dia 14 de abril de 1919. Na Bahia - sua terra - Ruy não havia conseguido a maioria dos eleitores amealhando, entretanto, 30% dos votos contra um governo estadual empenhado em derrotá-lo.

Não havia na época nem o rádio, nem o microfone elétrico, nem qualquer outro recurso que não a garganta do orador. O estilo, como é óbvio, é marcado pela eloqüência pomposa, rebuscada e literária. Um discurso como o de Ruy, parece-nos hoje como excessivo em palavras, inacessível ao eleitor comum, sem objetividade.

Entretanto, é uma peça brilhante – considerando-se a época – pelo uso magistral da língua, pelo movimento do discurso, pelas técnicas oratórias empregadas (a contradição, a construção do mistério, a repetição ritmada, o uso enciclopédico dos adjetivos e a produção da emoção mediante imagens, figuras de linguagem, expressões).

Notável é a sua abertura. A primeira frase do discurso, em 11 palavras, revela a sua orientação política, quem é o inimigo, a exaltação da Bahia, tudo sob a forma de um contundente contraste entre a Bahia e os seus governantes.


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Editor Responsável: Francisco Ferraz