Só há um momento na campanha em que é possível dizer que sobra tempo: antes dela iniciar. Nas outras fases, ele sempre será escasso e insuficiente. Por isso, costuma-se dizer que, numa campanha eleitoral, pode-se comprar tudo, menos o tempo. Isto porque toda campanha eleitoral obedece a um rígido cronograma legalmente fixado, que estabelece as datas para a apresentação formal das candidaturas dentro do partido e junto à Justiça Eleitoral, bem como o período destinado à campanha propriamente dita, com a devida autorização legal para dar publicidade às candidaturas e executar despesas eleitorais. A fase pré-campanha - que pode durar meses ou até mais de um ano - apresenta vantagens e desvantagens quando comparada à própria campanha.
As desvantagens

Antes da campanha iniciar é possível dizer que há tempo de sobra
- Nesse período não há recursos de campanha, há apenas os recursos pessoais do candidato
- O eleitor não está ainda interessado na eleição e, menos ainda, em decidir em quem vai votar
- A distância até a eleição reduz muito o entusiasmo dos apoiadores
- Os colaboradores mais próximos do candidato não podem dedicar muito tempo a ele, por causa de suas responsabilidades pessoais e profissionais
Assim, embora haja tempo de sobra quando se compara este período com a fase da campanha propriamente dita, não é nada fácil usá-lo de maneira produtiva.
A distância até o dia das eleições faz com que as agendas pessoais tenham uma prioridade mais elevada que a agenda do candidato, dificultando a tarefa de articular datas para a realização de atividades e reuniões. Além desta, há outra conseqüência: a predominância de um sentimento de que se há tempo suficiente, tarefas, reuniões e demais atividades podem ser postergadas sem prejuízo.
O resultado agregado desses dois fatores é a tendência à baixa produtividade devido à dificuldade em assegurar a continuidade dos trabalhos, o hábito da protelação, a ausência de disciplina e de responsabilidades definidas, bem como a instalação de um ritmo de trabalho irregular, espasmódico, informal e, no limite, preguiçoso.
Essa situação não é, entretanto, inevitável. Embora exija mais trabalho e paciência para articular agendas, é perfeitamente possível dar regularidade, disciplina e eficiência à campanha na fase que a antecede. Trata-se, basicamente, de organizar um sistema de trabalho no qual os indivíduos dedicam menos tempo por dia e por semana do que na campanha propriamente dita - mas ao longo de um período muito mais longo. Havendo disposição para trabalhar e capacidade de liderança, pode-se compensar a menor disponibilidade com a maior extensão de tempo. Tal desafio organizacional torna-se mais fácil de ser resolvido quando se considera que há atividades realizáveis somente durante a campanha e outras que são mais bem realizadas no período que antecede a campanha.








