
Na América Latina, houve um período no qual se lutou fortemente contra as ditaduras
Afinal, sofreu-se tanto com as ditaduras no continente, lutou-se tanto pela democracia que, resultados como aquele aparecem como uma profunda demonstração de ingratidão, de incapacidade de perceber e de corretamente valorizar, a enorme, descomunal diferença existente entre viver numa democracia e viver num regime autoritário.
É oportuno alertar, apesar do tempo de divulgação da pesquisa, que este tipo de pensamento não é tão surpreendente. Resultados semelhantes já foram obtidos em outras pesquisas feitas em países da América Latina, em períodos recentes. Além disso, resultados análogos ou, tolerância com práticas autoritárias que desvirtuam uma democracia, ocorrem, por igual, em países desenvolvidos.
Na Alemanha da década de 1920, um povo educado e religioso vivendo uma democracia irrepreensível, a República de Weimar, elegeu pelo voto, em 1932, um partido mais que autoritário, totalitário, e entregou seu governo a um brutal ditador chamado de Adolf Hitler.
Nos EUA pós 11 de setembro, o pânico causado pelos atentados terroristas legitimou o governo para impor uma série de restrições aos direitos individuais e à liberdade dos cidadãos sob o argumento de que são necessários para combater o terrorismo. Sem encontrar as armas de destruição em massa, nem lograr destruir o terrorismo, após as guerras do Afeganistão e do Iraque, e inescapavelmente comprometido com o complicado pós-guerra iraquiano, aquelas medidas tão facilmente aceitas quando promulgadas, estão se tornando crescentemente controvertidas e contestadas, e estão desvirtuando profundamente a democracia americana.

Manifestações de caráter político se tornaram rotina na América Latina
O que está em questão, em todos esses casos, entretanto, não é um desprezo pelos valores democráticos, mas sim situações como:







