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Tempo de leitura: 14 min 0 seg    Publicado em: 29/Julho
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Traçando um perfil realista do eleitor médio III: os atalhos cognitivos

Apesar de obter informações em várias fontes, o eleitor médio tem lacunas no seu conhecimento sobre a política e o governo. Elas são preenchidas por atalhos cognitivos

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Não obstante os vários tipos de informação obtidos na vida diária, na mídia, e nas eleições, perduram ainda, na mente do eleitor médio, importantes lacunas, relativamente ao seu conhecimento sobre a política e o governo. Para cobrir estas lacunas, ele recorre a atalhos cognitivos, isto é, processos mentais que permitem - sem ter que dedicar muito tempo ao acompanhamento da política - chegar a conclusões sobre como avaliar as informações, escolher entre projetos e programas, e julgar candidatos.


Na mente do eleitor médio é comum existirem lacunas relativas ao seu conhecimento sobre a política e o governo

O atalho cognitivo é o procedimento adotado por quem não possui um interesse auto-sustentado em política, para se informar e fazer escolhas, naquelas matérias constituídas por dados e informações difíceis de obter, e mais difíceis ainda de analisar e processar.

A informação interpessoal como atalho cognitivo

Grande parte dos eleitores, quando se sentem inseguros para avaliar a validade e importância de certas informações políticas, recorrem a pessoas de sua confiança para confirmá-las, e validá-las. Esta é sem dúvida, uma estratégia para economizar tempo e trabalho, e resolver as incertezas. Este enfoque dado por Popkin é uma adaptação moderna da clássica teoria do Two step flow of communication, desenvolvido por Lazarsfeld e Katz, da escola da Universidade de Columbia, na década de 40.

"O fluxo de informação em dois degraus (two step flow of communication) significa que muitas pessoas recebem a sua informação de maneira indireta, e que muitos deles, validam e incorporam o que leram ou ouviram, somente depois de haver trabalhado este material com outras pessoas" (Katz e Lazarsfeld - Personal Influence)

Segundo Popkin então:

"a campanha e a mídia somente enviam a mensagem inicial. Até que elas tenham sido checadas e validadas com outras pessoas, seus efeitos não se fazem sentir" (Popkin, op. Cit. Pg. 46)

A maioria das pessoas acompanha por alto o que está acontecendo - a economia vai bem ou vai mal; estamos em guerra ou não; o governo está indo bem ou mal etc - deixando para aqueles que fazem um "acompanhamento de perto" assim como aos especialistas, a tarefa de soar o sinal de alarma quando a situação é grave e perigosa. Feito o alerta, o cidadão comum sente-se motivado, e é acionado para tomar conhecimento do que está acontecendo.


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Editor Responsável: Francisco Ferraz