
O Senado francês aprovou as leis em defesa dos trabalhadores em entre 17 e 18 de junho de 1936. A França tão estigmatizada pela luta de classes, se harmoniza. Como mais adiante em outras matérias, o capitalismo mostrava que não precisava de uma mão de obra escrava para progredir. Que havia espaços para todos de alguma forma, melhorarem suas vidas.

A luta de classes na França se harmoniza. Trabalhadores da região parisiense partem de férias para as províncias
As fotos deste período flagram caminhadas musicais, bailes nos parques e dentro das fábricas, picnics nos parques, famílias andando de bicicletas, passeios, brinquedos. De súbito a agressividade da luta de classes ficava em segundo plano, para a euforia reinante com os novos direitos. Em mais alguns anos, ela iria ceder para a dura realidade da guerra, e no caso Francês, da ocupação nazista.
As manchetes eram do tipo :
“Milhares de trabalhadores da região parisiense partiram de férias para as províncias”
Diálogos transcritos nos jornais mostravam essa alegria desarmada:
“Pense, meu senhor, me diz uma trabalhadora, que eu meu marido e as crianças vamos poder por fim visitar minha família, na “nossa casa” na Bretanha!"
À saída de uma fábrica todos de forma barulhenta expressavam sua alegria, perguntando-se “ E tu, para onde vais?” “E tu quando viajas?”. Esses são alguns diálogos transcritos pelo Jornal o Popular (do Partido Socialista de Blum) no dia 1 de agosto de 1936.
Em 31 de dezembro de 1936, no seu discurso de fim de ano, um Leon Blum orgulhoso declarava:
“Recuperamos a esperança, um gosto pelo trabalho, um gosto pela vida. A França já tem uma nova aparência e um outro ar. O sangue corre mais rápido num corpo rejuvenescido. Tudo está a indicar que a condição humana na França se reergueu.”
Mas o desastre está logo ali. Naquele mesmo ano. Duas são as principais causas que liquidam com a Frente Popular e revigoram os movimentos de direita: A Guerra Civil na Espanha, e o impacto da crise econômica internacional.
Governantes medíocres nunca pensam que os bons dias acabam em algum momento, e muitas vezes não mandam aviso. Usam seu poder, e as folgas financeiras que possuem para gastar mais, para se identificar com a perigosa política do SIM. Não se diz não para nada, tudo pode ser obtido, senão já, daqui a pouco, senão integralmente na sua maioria. Quando a crise realmente vem e se instala, não há mais o que fazer a não ser fugir e se exilar.
O governo da Frente Popular, embriagado com seu sucesso inicial e com seu poder político no parlamento, não se preparou, nem preparou o povo francês para os riscos que eram previsíveis. A questão da guerra era desgastante, mas era basicamente política, e, curiosamente um confronto mais dentro do campo socialista do que contra o campo franquista!!
Mas, quando no verão de 1936, as ondas nascidas nas praias americanas chegam a Europa, as dificuldades já eram muito maiores do que as possibilidades da França de enfrentá-las.







