Grupos de pressão 4 - Técnicas de ação sobre os legisladores.

Francisco Ferraz
Publicado em: 28/04/2017

O princípio subjacente desse cenário é o da publicidade e do livre acesso do cidadão a seu representante. O político comporta-se de maneira a corresponder esta expectativa. Seu gabinete está aberto para receber cidadãos e ele busca o contato com os eleitores e com a imprensa. Não apenas o contato físico, mas por correspondência, e-mail, telefone, de todas as formas.

Os grupos de pressão, portanto, tiraram partido da abertura do legislativo para desenvolver toda uma tecnologia de ação que veio a ser conhecida como lobby. Sua primeira providência é constituir um staff localizado na cidade-sede do Legislativo, encarregado de acompanhar o andamento dos projetos - que podem ser benéficos ou prejudiciais aos interesses do grupo. Essa equipe permanente pode contar com profissionais altamente especializados e, sobretudo, procura recrutar ex-legisladores. Assim, uma das possibilidades abertas a políticos que já tiveram mandato e não se reelegeram, ou àqueles que decidem abandonar a carreira, é a de lobista. Eles levam para o trabalho a experiência e o conhecimento de quem já foi legislador, as relações com a classe política, com os funcionários permanentes do órgão e com os jornalistas que cobrem o Legislativo. São, por tudo isso, peças valiosas que simplificam o acesso aos parlamentares e à burocracia de cada órgão.

O lobby pode ter e tem, o seu lado "dark", no qual as negociações escusas e a "compra" de legisladores ocorrem. Mas o lobby não se reduz a tal aspecto, tampouco é esse o expediente mais comum adotado. O grupo de pressão é, sobretudo, uma agência de persuasão. Os técnicos do staff preparam documentos em favor dos interesses que defendem, respondem objeções, elaboram alternativas e levam o resultado do trabalho para os legisladores, comitês e as comissões. Buscam encontrar um conjunto de parlamentares simpáticos aos seus interesses e tentam alcançar outros políticos para, por exemplo, convencer, persuadir, transigir, negociar e elaborar alternativas.

Cada grupo de pressão tem seus próprios amigos e aliados, numa relação construída muitas vezes sobre a importância da empresa na região eleitoral do político, a ajuda que ele recebeu para a sua campanha, a certeza de que continuará tendo aquele apoio. A ação dos grupos assemelha-se a uma costura: através de amigos e aliados chega-se a outros políticos, especialmente àqueles que detêm posições-chave no processo legislativo - como presidentes de comissões, relatores, líderes partidários, líderes de bancadas - a fim de compor uma coalizão vitoriosa. O trabalho eficiente decorre desta longa e continuada costura na qual, um a um, os políticos vão sendo persuadidos. Basicamente, uma ação assim depende de:

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