O erro do assessor II: forçar sua pauta de prioridades.

Francisco Ferraz
Publicado em: 16/03/2017

Forçar a pauta de prioridades é o equívoco típico do assessor de personalidade forte, firmes convicções e que desfruta de considerável liberdade para opinarTeoricamente, é o assessor que todos gostariam de ter. Pode-se contar com ele para falar a verdade, ainda que dolorosa, e tem-se a certeza de sua lealdade e dedicação. Teoricamente. Porque, na prática, nem sempre é assim. No início do trabalho, tudo vai bem. Ele goza de uma latitude ampla para seu trabalho e é estimulado a dizer o que pensa, ainda que isso implique falar verdades incômodas. Suas sugestões são bem acolhidas e ele tem a satisfação de presenciar seu chefe utilizar seu trabalho e apoiar-se no julgamento dele.

O problema aparece com o tempo. Cria-se, naturalmente, uma divisão de trabalho entre chefe e assessor. O político vai para a frente de combate, enquanto o assessor fica na retaguarda com a incumbência de pensar grande e mais adiante, pensar estrategicamente e municiar seu chefe com estudos, análises e dados. É então que começa a ocorrer um afastamento entre os dois, uma insistente divergência de perspectivas e, sobretudo, uma aguda discordância sobre prioridades.

O político vive o momento, as circunstâncias, o imprevisto. Está sempre exposto à mídia, ao enfrentamento com outros políticos. Em conseqüência, torna-se mais imediatista, suscetível a surtos de emocionalismo, mais sensível às críticas, mais intolerante e cada vez mais impaciente. O assessor, por seu lado, vive outra realidade. Ele está muito mais protegido desta pressão da dinâmica política, opera nos bastidores, trabalha num ritmo diferente que lhe permite escapar às pressões do imediatismo, pensa estrategicamente e desenvolve um senso crítico ainda mais exigente e apurado ao identificar os erros que seu chefe comete pela especial condição em que se encontra - na linha de frente.

O sinal visível desta situação é a mudança de comportamento do político, vis-à-vis seu assessor. Ela já não tem mais tanto tempo para conversar e discutir, revela-se mais sensível às críticas - as mesmas que antes acolhia com tanta boa vontade - não mais consulta seu assessor sobre certas matérias, torna-se mais seco, ríspido e impaciente nos contatos. Manifestando-se estes sinais, esteja certo, instalou-se um sério problema de trabalho e relacionamento entre você e seu chefe.

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