Esperar e confiar

Francisco Ferraz
Publicado em: 18/04/2017

Luís Napoleão - também chamado Napoleão III - escreveu a sentença no livro Fragments Historiquespor volta de 1839. Doze anos ainda o separavam da conquista do poder e do início da implantação do II Império. Exilado na Inglaterra, após o fracasso do golpe de Strasbourg e antes de igual derrota na tentativa de tomar Boulogne, Napoleão III refletia sobre sua pretensão de recuperar o trono que havia pertencido ao tio.

Naquele momento, o poder não poderia estar mais distante e a pretensão pareceria despropositada a qualquer um. No entanto, Luís Napoleão, um voluntarista obcecado pela idéia de que o tempo de sua família ainda não havia passado, não abandonava a esperança, manifestando a um só tempo a disposição para esperar e a confiança em si mesmo, no mote tantas vezes repetido: "Jespère em Dieu et je crois en moi". Esperar e confiar foi a receita a qual precisaram se submeter, a contragosto, todos líderes políticos dos tempos modernos que conquistaram o poder. Quem não a adotou foi derrotado e até liquidado.

O líder voluntarista, como o próprio nome indica, atribui um poder desproporcional a sua vontade política e a de seus liderados. Cedo descobre que não bastam a coragem, o idealismo e o sacrifício para conquistar o poder. O sucesso somente virá quando a vontade estiver em sintonia com as idéias do século, o momento histórico, o sentimento coletivo, a tendência da opinião pública.

Como Napoleão III, todo líder voluntarista parte da reflexão para a ação mediante um lance político ousado com o qual acredita que conquistará entusiasmadas adesões e derrubará seus adversários. Foi assim com Luís Napoleão, na frustrada invasão de Boulogne que durou poucas horas; com Fidel Castro, no ataque ao quartel de Moncada, em 1953; com Hitler, na tentativa de golpe de estado em Munich, em 1923 - para citar três casos amplamente conhecidos. O resultado imediato foi a derrota, a prisão e o uso do processo pelos réus como uma oportunidade para denunciar o regime que os derrotara. Tiveram que, a contragosto e na prisão, esperar por um outro momento. Mesmo no cárcere, porém, nenhum deles jamais deixou de confiar em si e na vitória final.

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Opinião do leitor

Sou ativista e candidato a deputado federal por São Paulo. Tenho como meta lutar e melhorar em todos niveis e sentidos a vida dos negros afro-decendentes em suas demandas e reivindicações. Apesar de ter uma certa educação, o Política Para Políticos tem dado me inúmeros e excelentes subsídios. Meus agradecimentos e parabéns.

Jorge Oliveira
Campinas - SP

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