Os equivalentes funcionais do cataclisma II: a decisão política de remover o Estado do comando da economia

Francisco Ferraz
Publicado em: 22/02/2017

O segundo fator desta combinação pode ser caracterizado como a decisão política de remover o Estado do comando da economia. Sua articulação com a falência do Estado é óbvia. O Estado brasileiro em condição falimentar, tanto no que se refere aos investimentos sociais e de infra-estrutura, quanto às próprias despesas correntes, enfraquecera sua legitimidade para continuar comandando a economia e dela participar como agente econômico.

Estes fatos ocorriam no Brasil enquanto no resto do mundo soçobrava o bloco socialista, removendo o referencial de sucesso das economias de comando, e as políticas econômicas de corte liberal ou neoliberal recuperavam a sua vigência. Estes fatores, no seu conjunto, viabilizaram a eleição popular de um Presidente (Collor) que se comprometeu a enfrentar o desafio das reformas estruturais, defendendo um ideário liberalizante.

O governo Collor - malgrado seu lado dark - caracterizou-se pela vontade política de enfrentar os problemas econômicos e sociais em sua raiz: o enfrentamento da hegemonia do Estado na economia e sua prevalência sobre a sociedade. Collor foi, de todos os presidentes posteriores ao regime militar, o que mais claramente, mais articuladamente e mais insistentemente propôs e tentou implantar os fundamentos de uma economia de mercado no Brasil. Desta forma, o Estado brasileiro encontrou um inimigo à sua altura: O próprio Estado, que, por decisão política e ação do governo, começou a auto-destruir suas defesas, permitindo consequentemente a progressiva substituição de sua hegemonia pelos mecanismos de mercado.

O importante a ser assinalado é que a economia de mercado tornou-se um objetivo do Estado. Mesmo na hora de inverter a equação Estado-Sociedade, foi preciso que o Estado tomasse a iniciativa de implantar um projeto nacional que implicava na perda de sua própria hegemonia. Os passos, rumo a uma economia menos dependente do Estado, não foram dados por um empresariado ávido de mais mercado e menos Estado, como reiteradamente suas lideranças reivindicavam no plano da oratória. Foram dados, isto sim, pelo Estado, gerido por um governo que fizera deste objetivo seu projeto de governo.

Este texto pertence a uma coluna com acesso restrito, para continuar lendo cadastre-se e escolha entre um dos planos de assinatura.

Assine Aqui

Já sou assinante

Informe seus dados abaixo para continuar.



Esqueci minha senha

 

COMPARTILHAR

Área do usuário:

E-mail

Senha

> Esqueci minha senha

> Quero me cadastrar

Curta nossa página no Facebook Siga-nos

Opinião do leitor

Os assuntos aqui tratados são de suma importância para a vida de um homem público que necessita se informar, constantemente, daquilo que vem ocorrendo na sociedade em que vive e trabalha. Tenho procurado tirar minhas dúvidas quanto ao exercício da minha função de assessor parlamentar, nos artigos publicados, diariamente por este meio de comunicação. Continuem publicando os assuntos mais diretamente ligados ao dia-a-dia das casas legislativas.

Antonio Francisco Monteiro da Silva
Cuiabá - MT

Leia mais >>